Lixo zero é um desafio? Sim, mas é realidade em Odaiba, no Japão

Foto vetorial do lixo zero

O desafio do lixo zero é uma meta difícil de ser alcançada. No entanto é necessário para a sustentabilidade da sociedade, assim como, para a prevenção de catástrofes (deslizamentos e enchentes) e epidemias (Dengue, Zika, Chikungunya e outras).

 

Para Jacqueline Rutkowski, diretora executiva do Centro Mineiro de Referência em Resíduos (CMRR), temos que evoluir de uma economia linear, onde se produzia muita coisa e gerava muito lixo, para uma economia circular, em que se procura reaproveitar e reciclar o máximo, dentro de uma lógica de um circuito fechado. Desta forma, é possível evitar a utilização recursos novos, com o aproveitamento dos recursos que já foram extraídos da natureza.

   

 

Grande parte do lixo produzido em uma cidade é formado por resíduos sólidos de construção civil. O agravante é que 95% dos municípios brasileiros, não reciclam esse tipo de material. Quando reciclados, os resíduos de construção são tratados em estações de processamento, que realizam uma triagem para separar o plástico e o metal. O restante do material é triturado, transformado em partículas menores e reutilizado.

 

Resíduos do desperdício de materiais na Construção Civil, no Brasil.
Resíduos do desperdício de materiais na Construção Civil no Brasil

 

Os resíduos produzidos na construção civil são gerados por desperdícios de materiais. Grande parte dos desperdícios, ocorrem devido a disposição dos materiais nos canteiros de obras. Quando a localização gera grandes deslocamentos de materiais, parte dele fica perdido no transporte.
A mão de obra desqualificada também gera desperdícios. Outro fator que não pode deixar de ser citado é a gestão de obra, a falta de planejamento em situações que poderiam ser detectadas ainda no projeto, não são observadas, causando erros e retrabalho.

 

O lixo zero é uma questão de educação, de orientar a sociedade para a necessidade de repensar algumas atitudes e pensamentos, adotando novos hábitos de consumo e de descarte dos resíduos.

 

Neste sentido, a Política Nacional de Resíduos Sólidos estabelece que a responsabilidade pelo lixo deve ser compartilhada com toda a sociedade, que é a grande geradora de resíduos. As regras para a responsabilidade compartilhada determinam que não gerem resíduos, mas se não for possível, reduzir ao máximo a sua geração. Todos devem reaproveitar, reciclar e tratar os resíduos que não podem ser reciclados.

 

O lixo que não é reciclado adequadamente, deixa de movimentar na cadeia de reciclagem mais de 10 bilhões de reais por ano, que poderiam beneficiar a sociedade de várias formas. Para o diretor do Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável (INSEA), Luciano Marcos, cabe a cada um de nós fazer a sua parte e o conjunto dessas ações é que vai resultar no lixo zero.

 

 

O lixo zero é um desafio?
Sim, mas é realidade em Odaiba (Japão)

 

 

Foto do Bairro de Odaiba, no Japão
Odaiba (Japão)

 

Localizada em uma ilha artificial, aterrada e construída em grande parte com o lixo reciclado. Odaiba é um bairro do Japão, onde estão localizados hotéis, shopping centers e sedes de grandes empresas. Não possui apenas a aparência, representa o que os japoneses esperam do futuro, eficiente e limpo. Em Odaiba, praticamente são aproveitados 100% do lixo produzido.

 

 

Foto da Sede da Fuji TV em Odaiba, no Japão.
Sede da Fuji TV em Odaiba (Japão)

 

Conta o brasileiro Akira, que morou neste bairro por dois anos, que aprender as regras de separação do lixo no início foi difícil, por que no Brasil estava acostumado a uma única lixeira. Mas, com um certo policiamento e observando as várias lixeiras para utilizar, ficou natural e normal separar os resíduos em 10 categorias.

 

O lixo, que não pode ser reciclado, como restos de comida e papeis sujos são levados para outra sala, onde estão localizados os tubos que levam esses lixos para usinas de processamento. São cinco tubos, vindos de cinco áreas da ilha, que funcionam como gigantescos aspiradores de pó, puxando o lixo a 100 km/h em direção a usina.

 

Na usina, toneladas de lixo são despejadas a cada minuto. Uma gigantesca garra mecânica recolhe tudo e joga numa fornalha. O calor gerado pelo fogo é convertido em eletricidade e todo o processo é controlado por Engenheiros, que monitoram o funcionamento todo automático para que nenhum grão de sujeira seja desperdiçado.

 

As cinzas que sobram são aproveitadas, por exemplo, na pavimentação das ruas. Apesar da queima, ar expelido pela usina não polui a cidade. Explica um dos engenheiros, provavelmente o ar que respiramos aqui, seja mais limpo do que de Tóquio.

 

 

Foto noturna de Rainbow Bridge, ponte suspensa sobre a Baia de Tóquio que liga Shibaura a Odaiba.
Rainbow Bridge – ponte suspensa sobre a Baia de Tóquio que liga Shibaura a Odaiba

 

A energia produzida a partir do lixo zero, abastece até dez mil residências. Um dos beneficiados é um centro esportivo, suas piscinas são usadas por moradores do bairro, que pagam uma taxa bem baixa, R$ 6,00 reais para nadar por duas horas. A água é mantida a 30 ºC, graças a energia vinda da usina de lixo.

 

 

Foto de Gundam, robô em tamanho real (13 m de altura).
Gundam – robô em tamanho real (13 m de altura) em Odaiba (Japão)

 

Os moradores aproveitam os benefícios de morar num bairro que é um dos mais limpo do mundo. O resto do Japão não chega a ser assim, mas não é muito diferente. As regras de separação de lixo, variam de bairro para bairro, alguns multam os que não obedecem.

 

 

Foto da Roda Gigante de 150 metros.
Roda Gigante de 150 metros em Odaiba (Japão)

 

O que faz os japoneses se empenharem tanto com a reciclagem do lixo é a educação, uma tradição aprendida na escola e com a família, pois eles já se preocupam com o lixo a 500 anos.

 

No Japão, não há lixeiras na calçadas. Para descartar uma garrafa de refrigerante ou chá, você precisa encontrar uma loja de conveniência, onde tem postos de coleta para reciclagem. O lixo é dividido em 4 categorias. Primeiro, deve derramar o resto do líquido, a garrafa tem que estar vazia. Depois arranca o rótulo plástico que deve ser jogado junto com a tampinha no lixo dos plásticos. Só então pode jogar a garrafa no lugar apropriado.

 

 

Foto de Odaiba - Japão, ruas limpas.
Rua e praças limpas – Odaiba (Japão)

 

 

Dá trabalho?

Claro que dá

 

O prêmio é viver em cidades que estão livres de enchentes, alagamentos e epidemias decorrentes do acúmulo de lixo, com ruas e praças que parecem ter acabado de passar por uma faxina.

 

 

Foto de Aqua City, Shopping localizado em Odaiba, no Japão
Shopping Aqua City Odaiba (Japão)

 

 

Imagens Takashi, V. Bem, andreevarf, MagSpace / Shutterstock.com
Via Jornal Minas TV, Bom Dia Brasil Rede Globo

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